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Como evitar erros comuns na educação on-line em tempos de Covid-19

O ano é 2020. Um vírus surgido na Ásia, na China especificamente, muda o mundo. Uma pandemia provocada por ele altera o modo de vida das pessoas em todo o planeta e mexe com a economia. O estado de alerta geral impõe a tomada de decisões rápidas para não perder o ano. O distanciamento social surge como uma das principais ferramentas de combate ao novo coronavírus (Covid-19). De repente todo presencial vira on-line!

As mudanças acontecem desde as relações pessoais até o trabalho e a educação. É óbvio: não há preparo algum para isso! Apesar dos avanços da Revolução 4.0, ninguém imaginou viver esse momento. Aqui no Brasil, cerca de 100% das pessoas, encontram-se em isolamento e se relacionando quase que exclusivamente pela internet.

É inconteste, estamos todos, na medida do possível, tentando fazer o nosso melhor. Contudo, diante da excepcionalidade do momento, temos cometido alguns equívocos. E, isso, não é diferente na educação. Mas como dia a dia vamos identificando as possibilidades e vamos melhorando nossos processos. Elencamos aqui alguns erros básicos que, com pequenas adequações, ajustes, podem ser evitados.

  1. Erros que a instituição de ensino não pode cometer:

– Demorar na resposta ao momento: algumas instituições não se deram conta, ainda, mas é preciso reagir, pensar “fora da caixa”. O momento requer dinamismo e inovação ou melhor, exige a reinvenção dos processos e a reinvenção da educação. Não podemos esquecer do papel social que a instituição de ensino tem na vida dos(as) sujeitos.

– Não dispor de plataforma para as aulas e materiais on-line: algumas instituições estão pecando na diversidade de ferramentas e/ou na falta delas nesse momento. É essencial ter um espaço – ainda que virtual – para professores/as e alunos/as, um ambiente minimamente identificado como uma “sala de aula”.

– Deixar de coordenar e de orientar o processo: cabe à gestão coordenar e orientar todo o processo. É fundamental, nesse momento, auxiliar e oferecer apoio a professores(as) no planejamento e adaptação dos conteúdos.

– Falta de diálogo: é imperativo conversar com as famílias. A instituição precisa manter um canal de comunicação entre ela, instituição, não só com pais ou responsáveis, mas incluir, também, os estudantes nessa estratégia. Os responsáveis e os estudantes necessitam saber como podem dialogar e qual canal disponível para isso nesse momento de incertezas.

– Não oferecer um sistema estruturado para acompanhamento do trabalho desenvolvido nesse período. A instituição deve manter o acompanhamento dos processos de ensino e a aprendizagem, o que pode se perder, quando não há uma plataforma destinada para os processos, com esse objetivo. 

  1. Erros que a família não pode cometer:

– Não reconhecer o esforço dos(as) professores(as). O momento requer, mais do que nunca, proximidade entre famílias e estudantes. Precisam reconhecer o empenho dos(as) professores(as), cujos esforços são notáveis no sentido de se reinventar e reinventar a educação em meio a uma crise jamais vista. Esse momento exige cooperação de todos.

– Deixar de dialogar com a escola e professores. Satisfeitas ou não, as famílias devem procurar os(as) professores(as) e a escola para uma conversa franca. Ninguém melhor do que as famílias, para apontar as melhorias a serem feitas nesse momento, para a efetivação dos processos.

– Não conversar com os/as crianças e estudantes sobre o momento. É necessário dialogar, com eles, explicar a conjuntura e a necessidade de aceitar o novo, pois o momento requer inovação e criatividade. Importante lembrar:  em menos de quinze dias, a maioria das instituições de ensino e professores(as) respondeu à altura.

– Responsabilizar apenas a escola e os professores pelo êxito ou falta dele, em relação às medidas adotadas. Mais do que nunca é necessário que a família reconheça o quão importante é o seu papel na educação dos(as) estudantes. E, enquanto escolas e professores(as) se reinventam como têm respondido as famílias? Na maioria dos casos, da mesma forma de sempre: delegando a educação exclusivamente à instituição e responsabilizando os(as) professores(as) pelos seus insucessos.

  1. Erros que os professores não podem cometer:

– Não investirem na adaptação ou criação de materiais novos para as aulas on-line. O presencial requer planejamento e preparação diária das aulas, na educação on-line não é diferente: exige alguns cuidados. As aulas podem e devem ser mais curtas e objetivas, adotar a produção de vídeos e/ou gravação da aula é fundamental.

– Fechar os espaços de diálogo com os(as) alunos(as).  É fundamental que os(as) professores(as) não esqueçam da dimensão do cuidado nesse momento. Lembrem-se, sempre, cuidar e educar nunca tiveram tão indissociáveis quanto agora. Os(as) estudantes precisam ter liberdade para falar e a certeza de que estão sendo ouvidos/as pelos/as professores/as.

– Exagerar no envio de conteúdos e atividades. Cuidem para não cair no conteudismo. Não devemos sobrecarregar os(as) estudantes com excesso de conteúdo, atividades e trabalhos. Mais que nunca, é necessário dar espaço ao “planejamento meio vazio” de que fala Gabriel Junqueira Filho. Propiciar atividades e espaços de reflexão sobre o momento vivido e reinventar as formas de nos relacionarmos com as famílias. Isso também é pedagógico e educativo!

– Deixar de se organizar para as aulas remotas e/ou gravação dos vídeos. Também não devem esquecer de fazer uso das potencialidades que as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC’s) possuem.

– Ignorar a gravidade do momento nem esquecer de buscar o apoio dos estudantes e das suas famílias para o êxito nos processos de ensino e aprendizagem. Nunca foi tão necessária a participação efetiva da família na educação.

 

Adriane Möbbs

Adriane Möbbs

CEO da Bemaker Indústria Criativa, professora de Ensino Superior da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) e do Curso de Especialização em Ensino de Filosofia da UFPel (EaD). Atua na área da Educação, como professora, desde 2008, e na modalidade EaD desde 2010. Licenciada em Filosofia, especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional (2019-2020), com mestrado e doutorado em Filosofia pela UFSM; doutoranda em Educação pela UFPel (2016-2020), com Estágio Pós-doutoral em Filosofia Hermenêutica pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS).