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O que as gerações X, Y e Z dizem sobre os hábitos de consumo on-line?

Não raro ouve-se falar sobre diferenças geracionais. Alguém diz: na minha geração era assim; outro retruca: agora é assim. Mas até que ponto esses “conflitos” se estendem e quais benefícios e/ou desvantagem podem acrescentar na vida cotidiana e, especialmente, no modo de consumo das sociedades? Bem, entender as características de cada geração faz parte do marketing, pois as empresas precisam estar atentas às tendências de consumo e, portanto, precisam acompanhar mudanças de comportamento dos seus públicos. Há estudos mundiais, inclusive, que mostram como as campanhas são efetivas em diferentes meios e como cada faixa etária consome TV, internet, rádio e jornais.

Recentemente o Grupo Consumoteca publicou resultados de uma pesquisa pela qual concluiu que para 54% dos brasileiros com filhos, a principal atividade na rotina das crianças é composta por atividades online (games, filmes, séries). Esse dado por si só revela importantes tendências comportamentais de consumo a serem levadas em consideração quando da montagem de estratégicas de marketing, bem como na oferta de oportunidades seja pela educação formal ou alternativas de qualificação e aperfeiçoamento profissional que levem em conta o tempo em que crianças, adolescentes, jovens e adultos permanecem em frente as telas.

Ainda de acordo com a mesma pesquisa, os filhos da geração X, ocupam-se com jogos, games e filmes (55%) e estudos on-line (44%). Já os filhos dos Millennials estão divididos entre atividades on-line (59%) e offline, como jogos e brinquedos (48%). Os filhos da Geração Z estão principalmente ocupados com atividades offline como jogos e brinquedos (40%). É importante ter bem claro que ser de uma geração e não de outra muda de forma significativa a forma como se relacionam com o meio digital.

Para uma melhor compreensão desse cenário, é importante que se faça um recorte temporal ou construir uma espécie de linha do tempo para definir quem é quem dentro da divisão geracional. Cada geração é referente a um determinado intervalo de anos e, para o marketing atual, tem-se como referência as cinco últimas gerações – nascidos em meados do século XX e XXI:

1. Geração Baby Boomers: nascidos entre 1940 e 1960 (atualmente com 60 a 80 anos)
No Brasil, esses anos coincidem com o período que ficou conhecido como desenvolvimentistas, os “50 anos em 5”, prometidos pelo então presidente Juscelino Kubitschek. Também Movimento Cultural Tropicália. Geração idealista, combativa, disciplinada e com espírito coletivo, responsável por iniciar as lutas por direitos civis e políticos – estudo do Grupo Padrão. Para o mercado de consumo, os Baby Boomers concentram hoje grande parte da riqueza mundial e têm poder de decisão, como comandante de países ou à frente de grandes empresas.

2. Geração X: nascidos entre 1960 e 1980 (atualmente com 40 a 60 anos)
Guardam muitas das características dos Baby Boomers, como a busca pela estabilidade na carreira, a disciplina e o respeito pela hierarquia. Mas eles também reforçam a ideia de liberdade de serem e curtirem o que quiserem. Essa geração cresceu com a Guerra Fria. Aqui no Brasil, com a ditadura civil-militar. Portanto, o otimismo já não é mais o mesmo. O senso de coletividade vai sendo deixado de lado.

Os nascidos nessa geração vão se tornando mais individualistas e competitivos. Contribuição do marketing e publicidade. Muitos abriram suas próprias empresas e hoje representam parte do empresariado, inclusive o de startups. Segundo a Fiesp, 38% das startups brasileiras são de pessoas com mais de 45 anos. Têm alto poder de consumo.

3. Geração Y (Millennials): nascidos entre 1980 e 1995 (atualmente com 25 a 40 anos)
Esta foi a última geração a conhecer o mundo sem internet. Nasceram junto com a informática e a globalização, fenômenos que transformaram o mundo. No Brasil, os millennials nasceram com a chamada redemocratização, período pós-ditadura civil-militar. Testemunharam o processo de instabilidade econômica e política e o surgimento do Plano Real. São flexíveis a mudanças e loucos por inovação. São questionadores e gostam de se engajar em causas sociais e imediatistas.

4. Geração Z: nascidos entre 1995 e 2010 (atualmente com 10 a 25 anos)
Sem nenhuma dúvida, os millenials tiveram bastante atenção nos últimos anos, sendo alvo de estudos. Contudo, é a Geração Z (ou apenas GenZ) que se transformou no grande alvo de especialistas, motivando mais estudos pelo marketing atualmente. O marketing precisa conhecer melhor os jovens que estão chegando ao mercado e ditando como as marcas devem se comportar. Eles integram a primeira geração nascida no mundo das conexões. Cresceu com o celular na mão – são os chamados nativos digitais. Pra eles on-line e off-line é praticamente a mesma coisa, pois estão conectados a todo momento e em todo lugar. No Brasil, essa geração nasce em um momento de prosperidade, de crescimento econômico e de busca por justiça social. Mas logo já passam pela crise política e econômica após as eleições presidenciais de 2014. São engajados política e socialmente.

5. Geração Alpha: nascidos a partir de 2010 (atualmente com até 10 anos)
É a primeira da fila na mira do marketing. Embora ainda não tenham ingressado no mercado de consumo – e guardadas todas as restrições em todo o mundo em relação ao marketing para crianças – não devem ser ignorados pelo setor, afinal as reuniões de trabalho já estão abordando o planejamento para os próximos anos. E as empresas devem conhecer quem serão os consumidores no futuro próximo. Ainda não existem muitos estudos sobre a Geração Alpha. Sabe-se que eles já nascem em um período de recessão econômica no Brasil e crescem em uma época de polaridade e extremismo. Mas não há como prever o futuro e o efeito que isso terá no seu comportamento. Ponto importante: as crianças dessa geração se relacionam naturalmente com o celular e a internet. Porém, o que vai marcar essa geração é a sua relação com a inteligência artificial. Dessa maneira, a tecnologia se torna ainda mais integrada à sua vida, até mesmo ao seu próprio corpo.

Confira alguns dados da pesquisa do Grupo Consumoteca:

Rosamar Silva

Rosamar Silva

Jornalista 7159

Graduada em Comunicação Social -Habilitação Jornalismo- Universidade Católica de Pelotas (UCPel), com experiência multidisciplinar adquirida em empresas de serviços nas áreas de comunicação, saúde, energia e órgãos públicos, nos quais atuou como redatora, chefe de redação, editora, administradora e assessora de imprensa, incluindo cobertura fotográfica de eventos e elaboração de cerimoniais de acordo com as normas protocolares, elaboração de conteúdo para páginas na Internet e mídias sociais.